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Não é de hoje que a Caatinga – bioma exclusivo do Brasil, com uma grande diversidade de flora, fauna e bens naturais – enfrenta sérios desafios de conservação. Conhecida como “Mata Branca”, esse ecossistema se encontra ameaçado devido ao aumento da degradação do solo e à falta de proteção de áreas de mata nativa, entre outros fatores, fruto de ações desordenadas de exploração e expansão de grandes empreendimentos.
Nesse cenário, mais da metade do território do bioma já apresenta algum nível de degradação, o que afeta a biodiversidade e causa desequilíbrio ambiental. Esses fatores aumentam as vulnerabilidades ambientais, sociais e produtivas dos povos e comunidades tradicionais, contribuindo para o agravamento da fome e do empobrecimento das famílias.
É diante da necessidade de conservação e a restauração desse bioma que surge o projeto “Manejo Sustentável dos recursos naturais nas comunidades tradicionais agropastoris e extrativistas no bioma Caatinga”, que está celebrando um ano de atividades em prol da restauração da Caatinga.
A iniciativa visa combater a desertificação e promover o uso sustentável dos bens naturais em 11 comunidades tradicionais de fundo de pasto e povos indígenas nos municípios de Canudos, Uauá, Curaçá e Abaré, localizados no Território Sertão do São Francisco, região norte da Bahia.
Ao longo do primeiro ano, em parceria com as comunidades, o projeto promoveu uma série de ações, com destaque para:
Através destas ações, novos agentes ambientais são formados e cada comunidade envolvida no projeto constrói, de forma participativa, um Plano de Manejo Ambiental Sustentável. Com ele, pretende-se conservar a Caatinga, onde ela ainda está preservada e recuperar, onde ela já está fragilizada.
Paralelamente aos Planos de Manejo Ambiental, também são construídos os Planos de Manejo do Rebanho, o que contribui para a diminuição, por exemplo, do superpastoreio de animais na Caatinga e, consequentemente, melhora a qualidade da produção da ovinocaprinocultura.
O coordenador técnico do projeto, Luís Almeida, destaca a importância do Recaatingamento para a questão socioambiental da Caatinga, enfatizando o envolvimento das comunidades tradicionais nas discussões e proposições de restauração. “Entendemos que as ações de conservação e restauração dos biomas devem levar em consideração a participação e as demandas das pessoas do território, unindo os conhecimentos populares, tradicionais e técnicos para uma melhor resolução dos impactos das mudanças climáticas nos territórios”, afirmou.
Luís afirma ainda que para 2025, o projeto prevê a realização do Seminário de Recaatingamento em abril, um encontro de jovens e mulheres, entre julho e agosto; além de visitas técnicas, formações e oficinas. “As ações de formações e reuniões coletivas, visitas comunitárias, intercâmbios em temas como recuperação de solos, capacidade de suporte forrageiro, juventude e questão de gênero serão algumas das ações para o fortalecimento das comunidades em 2025 sobre o Recaatingamento”, concluiu.
O Recaatingamento é uma metodologia de Convivência com o Semiárido que promove os meios necessários para a recuperação de áreas degradadas e conservação da biodiversidade da Caatinga, com a participação ativa das comunidades por meio de ações de educação ambiental contextualizada para o fortalecimento do valor da Caatinga em Pé. Como componente da metodologia tem-se a integração de ações ambientais, sociais e produtivas para mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e ampliação da resiliência dos povos da Caatinga.
As ações do projeto contemplam ainda a realização de formações sobre Geração de Renda, agregando valor aos produtos oriundos das atividades agroextrativistas sustentáveis, como o beneficiamento de frutas silvestres, a exemplo do umbu e do maracujá da Caatinga. O Recaatingamento também contribui para uma Educação Ambiental Contextualizada – através da Assessoria Técnica e Extensão Rural (Ater) – nas comunidades envolvidas.
Esta iniciativa é financiada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) através do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) e executada pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa).
Texto e fotos: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa